sábado, 29 de junho de 2013

SOBE NÚMERO DE CRIANÇAS ACIMA DO PESO...

FONTE: Amanda Sant’Ana, TRIBUNA DA BAHIA.
A guloseima consumida na hora do recreio, a substituição de uma refeição por um lanche fast food, o biscoito e o salgadinho consumidos no final de tarde em casa, aliados ao sedentarismo, estão contribuindo, cada vez mais, para que crianças e adolescentes se tornem obesos. Isso porque os principais meios de diversão dessa nova geração são o computador, os jogos em celulares e o videogame. Esse comportamento é observado no Brasil e também nos Estados Unidos.

Através de uma pesquisa brasileira do Orçamento Familiar, realizada em 2009 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 36,6% das crianças estão acima do peso, um índice preocupante, que mostrou um significativo crescimento da obesidade neste grupo nos últimos anos: “Hoje, observamos que os centros urbanos concentram grande parte dessa jovem população, justamente pelo fácil acesso às grandes redes de fast food, que não oferecem um cardápio adequado para substituir a refeição de dentro de casa. Aliado a este fato está o modo de vida sedentária que este jovem leva na cidade, no qual utiliza a tecnologia como única forma de diversão e lazer em seu dia a dia”, avaliou o cirurgião do aparelho digestivo, Dr° Luiz Vicente Berti.

Para, o especialista, foi-se o tempo em que ser uma criança gordinha era sinônimo de saúde. Na opinião dele, a obesidade não é mais apenas um problema estético: “O excesso de peso pode provocar o desenvolvimento de várias doenças metabólicas já na primeira fase da vida, como diabetes, problemas cardiorrespiratórios, ortopédicos e de cirrose hepática por excesso de gordura depositada no fígado - a chamada esteatose”, comentou.

Tratamento.
Considerada uma epidemia da modernidade, no Brasil, a obesidade gera um gasto anual de mais de R$ 400 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS), com tratamentos voltados às doenças relacionadas a este mal. Por isso, em março deste ano o Ministério da Saúde assinou a portaria que define desde a orientação e apoio a mudanças de hábitos até critérios para a realização de cirurgia bariátrica, que reduziu de 18 para 16 anos a idade mínima para a realização do procedimento. Além disso, não existe mais idade máxima para a realização da cirurgia, que até então era de 65 anos. Hoje, a norma determinante é a avaliação clínica, na qual se leva em conta os riscos e benefícios que podem acometer o paciente.

De acordo com o cirurgião, o tratamento da obesidade infantil exige esforço, não só para a criança, mas também para a família.

A criação de pequenos hábitos saudáveis, o incentivo a uma alimentação rica e apropriada, a realização de exercícios físicos e comportamentos que levam à melhoria da qualidade de vida são fundamentais.

“O método mais indicado para tratar a obesidade em crianças e em adolescentes se baseia, principalmente, na combinação de uma dieta prescrita por nutricionista aliada ao programa de atividade física regular com acompanhamento psicológico. Vale acrescentar que o apoio e estímulo da família são fundamentais durante o tratamento da obesidade. E quando os resultados da terapia de conduta não são satisfatórios, a cirurgia bariátrica é a indicação para reverter o quadro”, afirma Dr. Berti.

Fique atento!
Alguns alimentos devem ser evitados com intuito de uma boa alimentação, além de evitar a obesidade infantil. Abaixo, pontuamos algumas atitudes que podem colaborar com o aumento de peso nas crianças e devem ser evitadas:
-- Oferecer comida como recompensa - dizer que a criança só vai comer a sobremesa se comer tudo. Esse tipo de chantagem passa a ideia de que fazer uma refeição não é bom, mas a sobremesa sim.
-- Ameaçar a criança se ela não comer salada - essa atitude pode criar uma aversão maior a verduras, legumes.
-- Não dar o exemplo - pais que se alimentam de forma desbalanceada, dificilmente convencerão seus filhos a comer corretamente. Não adianta exigir que o filho tome suco natural, se os pais só consomem refrigerantes.
-- Ceder ao primeiro “não gosto” - as crianças têm suas preferências alimentares e elas devem ser respeitadas. Mas além de oferecer os alimentos que a criança mais gosta e pede, é importante também insistir e oferecer os demais alimentos, para que ela entenda que os alimentos que ela não gosta também são importantes.
É comum a criança aceitar novos alimentos apenas após algumas tentativas e não nas primeiras. Insista, em algum momento ela pode ceder.
-- Não deixar a criança sentar à mesa - a refeição da criança deve ser servida na mesa, junto com os adultos. Ela deve ter a oportunidade de, enquanto aprende a comer à mesa, participar da refeição familiar, reforçando os laços familiares de união e tornando a refeição um momento agradável.
-- Não estabelecer horários para as refeições - as crianças necessitam de regras e horários para se alimentar. Chantagens do tipo “se não comer, não brinca’”, por exemplo, devem ser evitadas.
O ideal é que se estabeleça uma disciplina que mostre “a hora de brincar e a hora de comer”, para que esses tipos de situações não se misturem na cabeça da criança.

Modificação do estilo de vida ajuda.
Como o tratamento interdisciplinar da obesidade se baseia na modificação do estilo de vida, o que implica na alteração dos hábitos alimentares e físicos, o especialista considera vital que o paciente conte com um trabalho integrado de acompanhamento da área nutricional, psicológica e de atividade física, não somente antes, mas também após o tratamento clínico ou cirúrgico da obesidade.

Nos casos cirúrgicos, para combater a obesidade infantil são indicadas as técnicas do balão intragástrico, banda gástrica ajustável, gastrectomia vertical e bypass gástrico: “A cirurgia bariátrica é uma técnica que vem sendo realizada desde 1974 e já conquistou seu espaço entre os tratamentos para combater a obesidade e controlar as doenças metabólicas, sendo considerada padrão ouro nestes casos. O procedimento tem apresentado bons resultados na perda de peso, refletindo positivamente na qualidade de vida, na imagem corporal e na melhoria da saúde física e emocional dos pacientes submetidos”, concluiu. 

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