quinta-feira, 27 de março de 2014

DOIS CASOS DE REAÇÃO GRAVE À VACINA CONTRA HPV SÃO INVESTIGADOS...

FONTE: Flávio Ilha | O Globo, CORREIO DA BAHIA.
Nos dois casos, as vítimas tiveram convulsões cerca de uma hora após receberam a primeira dose da medicação.

A Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul está investigando dois casos graves de reação à vacina anti-HPV, que vem sendo aplicada na rede pública em adolescentes do sexo feminino entre 11 e 13 anos desde o dia 10 de março. 
Nos dois casos, as vítimas tiveram convulsões cerca de uma hora após receberam a primeira dose da medicação e precisaram de atendimento de urgência para reverter o quadro. Ambas passam bem e não correm risco de vida. 
Os dois casos foram registrados na semana passada. Um ocorreu em Caxias do Sul e outro em uma cidade não revelada do interior do Estado. Nem a idade e nem a identidade das duas meninas foram informadas pela Secretaria, que também não divulgou os casos publicamente. 
As reações são consideradas graves pelo Ministério da Saúde porque não há descrição na literatura médica de convulsões como efeitos colaterais após a aplicação da vacina anti-HPV. 
Segundo a coordenadora do Programa de Vacinação da Secretaria, Tani Ranieri, as duas adolescentes não precisaram de internação, mas continuam sendo acompanhadas para medir a extensão do problema neurológico que apresentaram. 
Nenhuma delas tinha histórico de epilepsia, causa mais comum de convulsões, e necessitaram de atendimento de emergência para reverter o quadro. Segundo a coordenadora, o socorro rápido às adolescentes impediu danos maiores. 
"Ainda não podemos afirmar que as convulsões foram causadas pela vacina, estamos investigando. ê necessário ter cuidado nesses casos porque o medicamento pode levar a culpa por problemas anteriores, que não eram conhecidos e que foram apenas desencadeados pelo produto, o que não é a mesma coisa", advertiu a coordenadora. 
Além desses dois casos, foram registrados mais 30 ocorrências de reações adversas leves, como náuseas, tonturas e desmaios, no Estado. 
A aplicação da vacina tem como meta proteger cerca de 2,5 milhões de adolescentes contra a infecção pelo HPV em todo o país - 80% da população feminina da faixa etária entre 11 e 13 anos, segundo o IBGE. 
Até a quarta-feira (26), cerca de 85 mil meninas já haviam sido vacinadas no Rio Grande do Sul. No Estado, a meta é vacinar pelo menos 206 mil adolescentes de uma população de 258 mil na faixa etária incluída no benefício. 

          

O vírus HPV pode causar câncer de colo de útero em percentual de 0,5% a 1% das mulheres infectadas. Nos homens, o percentual de câncer de pênis é ainda menor - cerca de 0,05% dos infectados. 
A vacina, que é a mesma oferecida na rede privada a um custo médio de R$ 400 por dose, é fornecida pelo laboratório norte-americano Merck Sharp & Dohme. O produto protege contra quatro cepas do vírus, considerados os mais oncogênicos dos mais de 500 tipos de HPV já identificados. 
A segunda dose será aplicada a partir de setembro, seis meses após a primeira aplicação, com reforço final daqui a cinco anos. A vacinação prossegue até 10 de abril na rede pública de saúde e nas escolas públicas e privadas. 
Segundo a Sociedade Gaúcha de Pediatria (SGP), o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos inclui a convulsão na categoria de eventos adversos graves pós-vacina, junto a outros efeitos como tromboembolismo, apendicite e reações alérgicas. Nenhum dos eventos já relatados, entretanto, foi relacionado diretamente à aplicação da vacina de forma científica. Os Estados Unidos já aplicaram cerca de 57 milhões de doses do medicamento. 
"Em campanhas massivas como essa, o surgimento de reações adversas raras acaba sempre aparecendo. O recomendável é que a segunda dose não seja aplicada e que essas adolescentes sejam acompanhadas", disse Juarez Cunha, do Comitê de Infectologia e Cuidados Primários da SGP. 

A vacina anti-HPV, entretanto, tem alta incidência de reações adversas segundo o CDC. Uma em cada dez pacientes tem febre leve e três em cada dez registram dor de cabeça. Os dois casos investigados no Rio Grande do Sul já foram relatados ao Ministério da Saúde, que está acompanhando as análises. Nenhuma autoridade do órgão quis se manifestar sobre as ocorrências. 

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